Revista Comunicação edição 268

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OPINIÃO

Discurso e jornalismo político: pós-verdade e o poder da informação nas decisões eleitorais

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O discurso político está ligado diretamente ao jornalismo, uma vez que as palavras proferidas servem de suporte para realizar as escolhas ao chegar à urna eleitoral. Consoante Charaudeau (2017, p. 190), “o discurso político pretende ser, em seu propósito, um discurso de verdade que diz qual é o sistema de valores em nome do qual deve se estabelecer o elo social que une essa diversidade”, uma postura cultural que a partir da individualidade reflete no coletivo o voto é único, particular, mas seu resultado é social e passa pelo crivo jornalístico.

Enquanto fonte de informação, o discurso político representa o uso de muitas máscaras que estão em jogo no momento da fala. É preciso persuadir pelas palavras, construindo a melhor imagem de si perante seu público, pois “o sujeito político que combate um adversário deve rejeitar os valores opostos aos preconizados por este, mostrando por uma boa argumentação a fraqueza e o perigo dessas ideias”; (CHARAUDEAU, 2017, p. 93). Assim sendo, os gêneros jornalísticos desempenham um serviço primordial ao informar a população sobre os acontecimentos políticos em nível local, regional, territorial e mundial.

Ao realizar a cobertura dos fatos em tempo real, priorizando o conteúdo em primeira mão, infere-se que a democracia contemporânea está profundamente ligada à circulação de informações. Nesse contexto, o jornalismo político exerce um papel fundamental ao atuar como mediador entre os acontecimentos da esfera pública e a sociedade. Mais do que relatar fatos, o jornalismo contribui à formação da opinião pública e, de maneira indireta, influencia a tomada de decisão dos cidadãos, especialmente no momento do voto.

Nas últimas décadas, entretanto, o ambiente informacional passou por transformações significativas. A expansão das redes sociais e a rapidez com que conteúdos circulam na internet ampliaram o acesso à informação, mas também facilitaram a disseminação de boatos, desinformação e narrativas distorcidas. É nesse cenário que surge o conceito de pós-verdade, utilizado para descrever contextos em que fatos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública do que apelos emocionais ou crenças pessoais.

Em períodos eleitorais, esse fenômeno se torna ainda mais evidente. Informações incompletas ou manipuladas podem ganhar grande alcance e impactar a percepção do eleitor sobre candidatos, governos e propostas políticas. Diante disso, o jornalismo profissional assume uma responsabilidade ainda maior: a de verificar dados, contextualizar acontecimentos e oferecer ao público informações confiáveis que permitam uma análise mais crítica da realidade política.

O jornalismo político, portanto, não determina diretamente o voto do cidadão, mas desempenha um papel essencial na qualificação do debate público. Ao investigar ações governamentais, acompanhar decisões políticas e promover o acesso a informações verificadas, o jornalista contribui para que o eleitor tenha condições de tomar decisões mais conscientes.

Em um cenário marcado pela pós-verdade e pela disputa de narrativas, fortalecer o jornalismo responsável significa também fortalecer a democracia. Uma sociedade bem informada possui mais capacidade de avaliar propostas, fiscalizar seus representantes e participar ativamente da construção do futuro coletivo.

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